Kenzi Marinho em viagem as Cataratas do Iguaçu. Na busca por reconhecimento profissional, o fotógrafo Kenzi Marinho apostou no abastecimento de mídias sociais e levou o trabalho para seus momentos de lazer. Foto: Larissa Ribeiro / Reprodução: Instagram

O fotógrafo Kenzi Marinho, de 30 anos, gosta de se apresentar como digital nomad, um profissional capaz de executar um trabalho em qualquer lugar do mundo, sem a necessidade de um escritório. Ele ama essa liberdade e não enxerga problema na hora de incluir uma atividade profissional no meio de uma viagem de lazer. Mas, de uns tempos para cá, o fotógrafo achou prudente tirar o pé do acelerador. Afinal, estar conectado o tempo todo pode prejudicar tanto a vida prossional, quanto pessoal.

Hoje em dia o profissional liberal não segue mais aquele padrão de fazer MBA e galgar o reconhecimento por uma grande corporação. Muitas vezes, busca-se um sucesso legitimado pelo quantidade de likes, e não por título ou diploma. Por hora, se estamos na rua, estamos trabalhando, e se estamos em casa, também — reflete Kenzi Marinho, que é um dos principais fotógrafos de eventos, hoje no país.

Apostar nesse estilo de vida tem um preço. Com pessoal e profissional se fundindo de tal modo, Kenzi anda maneirando nas redes e selecionando mais os trabalhos para diminuir a carga de estresse. Hoje ele quer se dedicar mais aos amigos e à família.

Pensamentos como o de Kenzi permeiam a mente de muitos profissionais hoje em dia, mas nem sempre a solução parece fácil. As ferramentas de comunicação se sofisticaram e estão evoluindo a cada dia, o mercado se dinamizou e o trabalho invade cada vez mais a vida pessoal. “Estar o tempo todo conectado às tarefas profissionais, porém, não só pode ser contraprodutivo, como levar ao adoecimento”, completa, Kenzi.

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Kenzi Marinho em viagem de helicóptero com os amigos no Rio de Janeiro.

O que os especialistas dizem sobre isso:

Luiz Edmundo Prestes Rosa, diretor de desenvolvimento de pessoas da Associação Brasileira de Recursos Humanos, afirma que países com questões trabalhistas mais avançadas já começaram a tomar providências sobre a questão. O diretor cita como exemplo a França, onde pesquisas mostram que até 10% dos trabalhadores correm o risco de sofrer um burnout (síndrome relacionada a altos níveis de estresse) e isso acendeu alguns alertas.

— O país tem um projeto de lei que visa a limitar a comunicação digital entre empresa e empregados nos horários de descanso — conta ele, acrescentando que um acordo sindical com companhias de tecnologia já impede a comunicação fora do horário de trabalho, beneficiando 250 mil trabalhadores.

Segundo Luiz, muitas pessoas passam a madrugada respondendo e-mails por medo de perder o emprego. E, num período de crise como este que o Brasil atravessou, a situação ficou ainda pior. Então, é preciso que as próprias empresas também cuidem disso, já que esse comportamento pode provocar danos aos seus empregados.

— Até porque, se observarmos bem, boa parte do trabalho extra feito dessa maneira poderia ser melhor resolvido se houvesse planejamento e clareza de objetivos no dia a dia da empresa — observa ele.