Se existe algum personagem na vasta saga de O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, que justifica um estudo aprofundado de sua constituição psicológica, este é Gollum. Também conhecido como Sméagol, o Hobbit corrompido pelo poder sombrio e sedutor do Um Anel terá sua complexidade explorada no próximo derivado da Warner Bros., The Hunt for Gollum (A Caçada por Gollum). Os fãs da Terra-média podem esperar exatamente isso, com Andy Serkis retornando não apenas para o papel de captura de movimentos que o tornou uma superestrela global, mas também assumindo a cadeira de diretor.
Em uma entrevista recente para a edição de março de 2026 da revista Empire, a corroteirista do filme, Philippa Boyens, provocou o público sobre o tom da produção. Segundo ela, trata-se de uma aventura com uma história interior e psicológica muito forte acontecendo simultaneamente. Boyens, que ajudou a escrever a trilogia oscarizada de Peter Jackson — bem como a trilogia O Hobbit, recebida de forma mais morna —, destacou a vitalidade de Serkis. Ela relatou incredulidade ao ver a forma física do ator e diretor no estúdio de captura de movimentos, brincando sobre a necessidade dele começar a envelhecer, dada a agilidade com que escalava as estruturas do cenário.
O filme servirá como uma prequela, situada cronologicamente entre os eventos de O Hobbit e A Sociedade do Anel. Serkis, escrevendo para a Empire, reforçou que a missão é revisitar um personagem que nunca o deixou realmente, mas agora sob a responsabilidade de dirigir. O objetivo é satisfazer a paixão de gerações de fãs e, ao mesmo tempo, apresentar algo fresco para os novatos na franquia, mantendo um dos personagens mais ricos de Tolkien no centro da narrativa.
Rumores de elenco e o risco de substituir ícones
Embora The Hunt for Gollum seja a próxima grande aposta para 2027, com Peter Jackson atuando como produtor executivo, o projeto enfrenta um terreno perigoso. A Terra-média pode parecer diferente do que o público se acostumou, e rumores recentes sobre a reformulação do elenco geram apreensão. A narrativa envolve personagens familiares, incluindo Gandalf e Aragorn, que desempenham papéis notáveis na busca por Gollum nos livros. No entanto, sussurros indicam que Viggo Mortensen poderia ser substituído no papel de Aragorn, uma escolha que seria controversa nos melhores tempos, mas que soa arriscada demais no cenário atual.
Ainda que não haja confirmação oficial, a simples possibilidade de um “recast” de Aragorn poderia causar um alvoroço na base de fãs. Mortensen tornou o personagem icônico, e é difícil imaginar outro ator capturando a essência do rei exilado com tanta eficácia. Se a Warner Bros. está comprometida em estender a franquia, substituições podem ser inevitáveis em algum momento, mas substituir as estrelas de uma série considerada um dos maiores feitos da fantasia de todos os tempos será uma batalha árdua.
O peso dos fracassos recentes e a saúde da franquia
O momento para mudanças drásticas é o pior possível, considerando o histórico da franquia nos últimos dez anos. Enquanto a trilogia original permanece amada, os filmes de O Hobbit são lembrados com menos carinho, e tentativas mais recentes de levar o mundo de Tolkien às telas enfrentaram críticas pesadas. A série Os Anéis de Poder, do Prime Video, embora mostre uma trajetória ascendente após uma segunda temporada forte, ainda divide os fãs mais puristas e não alcançou a recepção unânime dos filmes de Jackson.
Além disso, os números desastrosos de bilheteria de The War of the Rohirrim não ajudam. O filme animado arrecadou apenas 20 mil dólares mundialmente, segundo o Box Office Mojo, sinalizando uma perda de ímpeto da franquia. Esse cenário torna o sucesso de The Hunt for Gollum ainda mais crucial. Dobrar a aposta em decisões impopulares, como reformular o elenco principal, parece ser a pior estratégia para um filme que precisa reconquistar a confiança do público.
Nostalgia em alta: O sucesso das reexibições nos cinemas
Por outro lado, o amor pelos clássicos continua inabalável. A trilogia O Senhor dos Anéis de Peter Jackson está retornando aos cinemas para o 25º aniversário de A Sociedade do Anel, e os cinéfilos parecem ansiosos para voltar à Terra-média — desde que seja a versão que eles já amam. As pré-vendas domésticas para as exibições de meados de janeiro de 2026 já geraram 5 milhões de dólares, com cerca de 407.000 ingressos vendidos, de acordo com a Fathom Entertainment.
Esse desempenho está 65% à frente do relançamento de 2024 no mesmo ponto do ciclo de vendas. Para comemorar, Jackson gravou introduções exclusivas e longas para as edições estendidas de cada filme. Ray Nutt, CEO da Fathom, celebrou o início recorde, destacando que as edições estendidas, que acumuladas somam onze horas e meia de duração, prometem ser um evento marcante para os fãs e um ponto alto para relançamentos de filmes clássicos em 2026. Isso prova que, apesar das incertezas sobre o futuro e novos projetos, a reverência pela obra original permanece mais viva do que nunca.



