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Do banho de sangue na cabana ao terror digital: como o medo continua dominando as telas

Para a galera que bate ponto em filme de terror e não dispensa aquele bom e velho roteiro da cabana isolada com doses cavalares de sangue e bizarrice, a semana entregou um belo presente. A Warner Bros soltou um trailer inédito de “A Morte do Demônio: A Ascensão”, marcando o retorno daquela que é, sem dúvida, uma das franquias mais cruas e adoradas do cinema. Para os nostálgicos de plantão, estamos falando do universo de “Uma Noite Alucinante”.

Essa nova empreitada marca o quinto capítulo da saga. A gente lembra bem que os três primeiros, lá nas décadas de 80 e 90, foram comandados pelo mestre do gênero Sam Raimi, enquanto o reboot visceral de 2013 ficou nas mãos do Fede Alvarez — aquele mesmo que arrepiou todo mundo com “O Homem nas Trevas”. Mas agora a cadeira de diretor e roteirista fica com Lee Cronin, que resolveu mudar o jogo e tirar a matança do meio do mato para jogá-la bem no centro da cidade grande. A premissa acompanha duas irmãs que mal se falam, vividas por Alyssa Sutherland e Lily Sullivan. O que era para ser um reencontro familiar minimamente civilizado vira um pesadelo primata quando demônios devoradores de carne resolvem dar as caras, forçando as duas a uma luta puramente instintiva pela sobrevivência em família. Nos bastidores, a velha guarda segue firme, com Sam Raimi e Bruce Campbell (o eterno Ash Williams) assinando a produção executiva ao lado de Rob Tapert.

Vale um parêntese sobre essa bagunça genial que são os títulos da franquia por aqui, algo muito comum na nossa história de localização de filmes. Por que diabos The Evil Dead virou “Uma Noite Alucinante”? O título original traduzido ao pé da letra seria algo perto de “a morte do mal”, mas como a pegada era aquele clichê de amigos se lascando na floresta numa madrugada aterrorizante, os distribuidores brasileiros de 1981 acharam por bem batizar a obra de “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio”. É insano pensar que esse longa, feito basicamente com os trocados de um trabalho de conclusão de curso de cinema e um elenco de amigos do diretor, acabou virando o filme amador mais profissional da sua época, moldando o que entendemos por terror hoje. Na gringa, o novo capítulo carrega o nome mais enxuto de Evil Dead Rise.

Mas enquanto Hollywood aposta no resgate da carnificina palpável e no sobrenatural analógico, o terror asiático vem provando que o medo contemporâneo mora, na verdade, no nosso bolso. Se os demônios de Raimi precisam de um livro de capa de pele para possuir alguém, a nova coqueluche da Netflix só precisa de um download. É aí que entra “If Wishes Could Kill”, o thriller de horror sul-coreano que está simplesmente engolindo a audiência global nos últimos dias.

Lançada no dia 24 de abril de 2026, a série precisou de muito pouco tempo para bater a assustadora marca de 7,5 milhões de visualizações, estacionando no top 10 de 64 países — incluindo Brasil, Japão, Tailândia e Egito, além de dominar o segundo lugar na Índia. E o que tem de tão hipnótico nessa produção de oito episódios? A grande sacada da criação de Park Youn-seo com o roteiro de Park Joong-seop é pegar o drama colegial e misturar com um pacto faustiano digital. A trama gira em torno de estudantes do ensino médio que esbarram num aplicativo obscuro chamado Girigo. A promessa do software é sedutora: ele realiza qualquer desejo seu. O preço é que vem com uma pegadinha macabra, ativando um cronômetro regressivo para a morte do usuário assim que o desejo se cumpre.

Acompanhamos cinco amigos tentando desvendar a origem desse código para frear a epidemia de mortes que toma conta do ambiente escolar, esbarrando em segredos pesadíssimos e dilemas morais que elevam a série para muito além do susto pelo susto. O elenco jovem carrega bem a tensão, com destaques para Jeon So-young no papel de Yoo Se-ah e Kang Mi-na como Lim Na-ri, acompanhadas de nomes como Baek Sun-ho, Hyun Woo-seok e Lee Hyo-je.

O burburinho na internet explica bem o fenômeno. A série virou febre justamente porque costura mistério, sobrenatural e a eterna angústia da adolescência numa linguagem muito acessível. Dando uma volta pelo X, você esbarra o tempo todo em resenhas de quem engoliu a temporada de uma vez só. A galera elogia como o ritmo cresce de forma cadenciada até um final catártico, amarrando as pontas de cada personagem e entregando aquele fan service na medida certa. Como bem resumiu um usuário por lá, é uma feitiçaria sombria que te prende pelo pescoço já no primeiro episódio, te obrigando a ignorar completamente a promessa de “vou assistir só mais um hoje”. No fim das contas, seja lutando contra demônios num apartamento caindo aos pedaços ou correndo contra um relógio na tela do celular, a verdade é que estamos todos viciados na pura e simples adrenalina da sobrevivência.